Cemitério Orbital satélite

Arquivo 010 · 1957

O PRIMEIRO TÚMULO

A cápsula que se tornou um caixão de metal

Objeto

Sputnik 2

País

União Soviética

Década

1950

Publicado

Capa do arquivo: O PRIMEIRO TÚMULO

O Sputnik 2 foi o segundo objeto colocado em órbita pela União Soviética, lançado em 3 de novembro de 1957, um mês depois do Sputnik 1. Levava a bordo a cadela Laika, primeiro ser vivo a orbitar a Terra. A cápsula não tinha sistema de retorno. Laika morreu entre 5 e 7 horas após o lançamento, por superaquecimento e estresse — fato que a União Soviética só admitiu em 2002. A cápsula continuou em órbita por 162 dias e queimou na reentrada em 14 de abril de 1958.

Missão

PROVAR QUE UM SER VIVO SOBREVIVE AO LANÇAMENTOMEDIR PULSO E RESPIRAÇÃO EM ÓRBITACHEGAR ANTES DOS AMERICANOS

REGISTRO 01 — A passageira

Laika era uma vira-lata das ruas de Moscou, escolhida entre três cadelas por ser a mais calma [1]. Foi treinada em gaiolas cada vez menores. Antes do voo, um dos cientistas a levou pra casa pra brincar com os filhos; disse depois que queria fazer algo de bom por ela, porque ela tinha tão pouco tempo de vida.

REGISTRO 02 — As primeiras horas

Na decolagem, o Sputnik 2 não se separou corretamente do último estágio do foguete, e o sistema de controle térmico falhou [4]. A temperatura dentro da cabine subiu a cerca de 40 °C. Por volta da quarta órbita, os sensores mostravam um batimento cardíaco disparado; entre cinco e sete horas após o lançamento, não havia mais sinais de vida [2].

HORAS DE VIDA EM ÓRBITA

morte por superaquecimento e estresse

REGISTRO 03 — A versão oficial

A União Soviética contou outra história por 45 anos: que Laika viveu dias e foi sacrificada sem dor. A verdade só veio a público em outubro de 2002, quando o cientista Dimitri Malashenkov apresentou os dados num congresso em Houston [4]. Antes disso, em 1998, Oleg Gazenko, um dos responsáveis pelo programa, já havia dito publicamente que não se aprendeu o suficiente com a missão pra justificar a morte da cadela [4].

REGISTRO 04 — O túmulo

As baterias da cápsula acabaram sete dias depois do lançamento, e o Sputnik 2 parou de transmitir [2]. Mas continuou girando. Por 162 dias, uma cápsula de cerca de meia tonelada com um corpo dentro passou sobre todas as cidades do mundo a 28 mil km/h, 2.570 vezes [1]. Em 14 de abril de 1958, ela reentrou na atmosfera e se desintegrou. Nada chegou ao chão [3].

Cronologia

  1. Lançamento de Baikonur, com Laika a bordo

  2. Entre 5 e 7 horas depois, fim dos sinais de vida

  3. Baterias esgotadas; cápsula para de transmitir

  4. Reentrada e desintegração após 2.570 órbitas

REGISTRO 05 — O que ficou

Laika foi tratada como heroína pela propaganda soviética, tem monumento em Moscou e nome em crateras e ruas. O Sputnik 2, não. Ele não deixou destroço, museu nem multa. Deixou só a certeza de que a exploração espacial também foi pavimentada por passageiros solitários que nunca pediram pra voar.

Perguntas frequentes

Laika voltou viva?

Não. A cápsula não tinha sistema de retorno e nunca houve plano de resgate. Ela morreu poucas horas após o lançamento, por superaquecimento e estresse [2].

Quanto tempo o Sputnik 2 ficou em órbita?

162 dias, completando 2.570 órbitas, até reentrar e queimar na atmosfera em 14 de abril de 1958 [1].

Por que a verdade sobre Laika demorou tanto?

Por razões de propaganda. A versão oficial de que ela viveu dias foi mantida até 2002, quando cientistas russos apresentaram os dados de telemetria reais num congresso internacional [4].

Restou alguma parte do Sputnik 2?

Não. A cápsula se desintegrou completamente na reentrada. Existem apenas réplicas em museus, como a do Pavilhão do Espaço em Moscou.

Fontes

  1. 1.
  2. 2.
    Laika, the space dog Afterburner · 2021
  3. 3.
  4. 4.
    Laika, First Dog in Space, 1957 Album / Science Photo Library · 2020

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