Cemitério Orbital lugar

Arquivo 005 · 2001

O TÚMULO DE ÁGUA

Onde as estações espaciais vão para morrer

Objeto

Ponto Nemo (Área Desabitada do Pacífico Sul)

País

Internacional

Década

1970

Publicado

Capa do arquivo: O TÚMULO DE ÁGUA

O Ponto Nemo é o ponto do oceano mais distante de qualquer terra firme, no Pacífico Sul, a cerca de 2.700 km da ilha mais próxima. Desde 1971, agências espaciais usam a região ao redor dele — a Área Desabitada do Pacífico Sul — como alvo para derrubar naves aposentadas. Mais de 260 espaçonaves já caíram ali, incluindo a estação russa Mir, em 2001. A Estação Espacial Internacional será a próxima.

Missão

DERRUBAR NAVES SEM RISCOLONGE DE GENTE E DE NAVIOSSEM VIDA MARINHA PRA CONTAMINAR

REGISTRO 01 — O lugar mais isolado da Terra

O Ponto Nemo é o “polo de inacessibilidade” oceânico: a coordenada mais distante de qualquer costa, a aproximadamente 48° Sul e 123° Oeste. A terra mais próxima está a mais de 2.600 km em qualquer direção. A Estação Espacial Internacional orbita a cerca de 400 km de altitude — ou seja, quando ela passa por cima, os astronautas a bordo são, literalmente, os seres humanos mais próximos daquele ponto [3].

REGISTRO 02 — Um deserto de água

A região fica no centro de um giro oceânico que bloqueia a chegada de nutrientes. Sem nutrientes, quase não há vida: é um deserto marinho [2]. Isso importa porque uma nave que cai traz combustível residual, metais e, às vezes, material radioativo. Cair onde não há ecossistema pra contaminar é parte do cálculo.

NAVES DESCARTADAS ALI

entre 1971 e 2016

REGISTRO 03 — Quem está lá embaixo

O inventário é russo, sobretudo. Seis estações Salyut, mais de uma centena de cargueiros Progress, e a Mir [1][3]. Há também cargueiros japoneses HTV, veículos europeus ATV e, mais recentemente, partes de cápsulas da SpaceX. A previsão é que a Estação Espacial Internacional termine no mesmo lugar quando for aposentada [1].

REGISTRO 04 — O maior enterro: a Mir

Em 23 de março de 2001, a estação Mir, com cerca de 135 toneladas e 15 anos de serviço, foi guiada pra reentrada sobre o Pacífico [2]. Ela bateu na atmosfera a uns 100 km de altitude, perdeu os painéis solares, e se partiu por volta dos 90 km. O brilho da queda foi visto de Fiji. Do que subiu, só 20 a 25 toneladas chegaram à água — o resto queimou — espalhadas num rastro de 1.500 km de comprimento por 100 km de largura [2]. Não existe uma “Mir no fundo do mar”. Existe uma trilha de pedaços a 4 mil metros de profundidade, no escuro, sob quatrocentas atmosferas de pressão.

Cronologia

  1. Primeiro descarte registrado na região

  2. Reentrada controlada da estação Mir

  3. Mais de 260 naves contabilizadas no cemitério

  4. Destino previsto da Estação Espacial Internacional

REGISTRO 05 — A anedota

A queda da Mir foi tão esperada que a Taco Bell ancorou um alvo flutuante de 12 por 12 metros no Pacífico e prometeu taco grátis pra todo americano se um pedaço acertasse o quadrado [4]. Nenhum acertou. O oceano é grande; a nave, apesar de tudo, era pequena.

Perguntas frequentes

Onde fica exatamente o Ponto Nemo?

No Pacífico Sul, a cerca de 48°52’ S e 123°23’ O, entre a Nova Zelândia, a Ilha de Páscoa e a Antártida. A terra mais próxima está a mais de 2.600 km.

Dá pra visitar o cemitério de naves?

Tecnicamente sim — é mar aberto — mas não há nada pra ver. Os destroços estão a cerca de 4.000 m de profundidade, espalhados por centenas de quilômetros. Nenhuma expedição de mergulho os localizou.

Por que não deixar as naves queimarem inteiras na atmosfera?

Porque objetos grandes e densos, como tanques e motores, sobrevivem à reentrada. Mirar no Ponto Nemo garante que o que sobrar caia longe de qualquer pessoa.

A ISS vai cair no Ponto Nemo?

É o plano atual. A Estação Espacial Internacional deve ser desorbitada de forma controlada sobre a mesma região quando encerrar operações, no início da década de 2030 [1].

Fontes

  1. 1.
    Spacecraft cemetery Wikipedia · 2026
  2. 2.
  3. 3.
  4. 4.

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